Consumo de alimentos “não saudáveis”: como melhorar o bem estar do consumidor a partir das informações nutricionais

Por Victoria Vilasanti
Fornecer informações nutricionais nas embalagens de produtos alimentícios é uma norma imposta por agências reguladoras, como a Anvisa no Brasil. Mas você já parou  pra pensar se essas informações realmente ajudam no bem-estar do consumidor? Imagine que você vai fazer um lanchinho no meio da tarde e decide sair da dieta: ao invés de comer uma fruta, você compra um chocolate na cantina do seu trabalho. Ao pegar a barra de chocolate, você vê na embalagem que o número de calorias por porção é menor do que você estava esperando. Agora, você acha que, com esta informação nas mãos, você vai comer mais ou menos chocolate do que você comeria se não tivesse visto a quantidade de calorias?
Um grupo de pesquisadores descobriu que para alimentos considerados “não saudáveis” os indivíduos tendem a consumir mais quando veem a quantidade de calorias por porção. Isso porque, na maioria dos casos, a quantidade de calorias (por porção) é menor que sua expectativa. Por outro lado, esse efeito não acontece quando o produto é considerado “saudável”. Uma possível solução para mitigar o volume de ingestão de produtos “não saudáveis” seria aumentar o padrão do que é considerado uma porção. Desta forma, o número expresso na embalagem (de quantidade de calorias por porção) seria maior, dando a impressão de que o consumidor estaria ingerindo mais calorias, quando na verdade somente o padrão de medidas foi alterado. Tendo em mente o bem estar do consumidor, esse tipo de informação é especialmente útil para agências reguladoras e para a indústria alimentícia.

Tangari, A. H., Bui, M., Haws, K. L., & Liu, P. J. (2019). That’s Not So Bad, I’ll Eat More! Backfire Effects of
Calories-per-Serving Information on Snack Consumption. Journal of Marketing, 83(1), 133-150.

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